Era uma vez um homem chamado Calado. Ele tinha um filho chamado Edivaldo.
Calado nunca deixou que nada faltasse para o seu filho. Comprava o que o filho queria, quando tinha dinheiro. Quando não tinha dinheiro fazia aquele esforço, juntava um ou dois meses e conseguia. Ele queria sempre agradar Edivaldo.
Edivaldo foi crescendo e se tornou um adolescente. Seu pai Calado, não falava muito sobre dinheiro nem conversava sobre suas finanças. Edivaldo não fazia a menor ideia de quanto o pai ganhava nem quanto a família precisava para se manter. Assim, era só Edivaldo pedir o dinheiro que precisasse para o pai e ele dava sem discutir muito.
Calado continuava com seu jeito reservado e não discutia sobre nada relativo a finanças com seu filho nem com sua esposa. Ele era o chefe da casa. Ele que recebia o salário. Ele apenas dava na mão deles o dinheiro que precisassem. Para a mulher dava dinheiro para as compras no mercado e para o filho dava quando ele pedia para escola ou festas.
Edivaldo enfim se formou na faculdade e arranjou um emprego. Nessa época ele mal sabia o que era uma conta no banco ou quanto iria receber.
Edivaldo, nesse tempo, ainda morava com os pais e todo o dinheiro que ganhava no emprego, ele acabava gastando. Mas não era só isso. Certa vez Edivaldo gastou além do que tinha no banco e caiu no “cheque especial”. Edivaldo não se preocupou, pois sabia que quando precisasse de dinheiro era só pedir para Calado.
Calado começou a ficar muito furioso quando Edivaldo lhe pedia dinheiro. Calado repetia sempre a mesma frase: “Você está trabalhando… Você não sabe cuidar do seu dinheiro?“. Edivaldo não sabia… Ninguém tinha ensinado a ele como cuidar…
E o tempo passava… Edivaldo finalmente arranjou um emprego que pagava mais. Calado agora tinha esperanças que o filho pudesse começar a guardar dinheiro. Mas Calado não dizia nada… Ficava esperando que as coisas melhorassem.
Infelizmente Edivaldo começou a gastar mais do que ganhava e as dívidas iam ficando cada vez maiores. Edivaldo voltava para casa triste, angustiado, culpado e pedia dinheiro para seu pai para cobrir suas dívidas. Calado ficava culpado por não ter conseguido ensinar a seu filho como cuidar do dinheiro, brigava com o filho mas no fim dava o dinheiro para que o filho não ficasse numa situação pior.
E isso se repetiu por muitos e muitos anos causando muito desgaste na relação do pai com filho e entre todos os familiares.
O que aconteceu?
Essa é uma história fictícia, mas sei que é muito comum em muitas casas.
Muitos pais não dividem com os filhos seus objetivos, seus erros, acertos e metas em finanças pessoais. Eles acreditam que os filhos não devem participar pois não consideram importante, nem adequado conversar sobre dinheiro com os filhos.
Desse modo, temos milhares de pessoas que têm o primeiro contato com o dinheiro apenas na fase adulta ao arrumarem o primeiro emprego.
Como essas pessoas não tiveram qualquer tipo de informação ou modelo em relação ao dinheiro, acabam agindo de forma automática. Na nossa história, Edivaldo sabia que o dinheiro vinha do seu pai. Não importa o quanto ele precisasse, o pai era a fonte inesgotável de dinheiro na sua visão. Calado nunca mostrou uma atitude diferente que fizesse o filho pensar que o dinheiro tinha um limite. Ou seja, que poderia acabar e, caso acabasse, quais seriam as consequências da falta de dinheiro.
A falta de educação financeira gera muitos conflitos entre pais e filhos em nossa sociedade. Normalmente, não é fácil perceber que o motivo é tão simples e ao mesmo tempo tão complexo. Os pais nunca tiveram esse tipo de educação, então acreditam que os filhos também não necessitem. Alguns, de forma automática, acabam agindo corretamente – pura sorte – outros acabam repletos de dívidas que se refletem em problemas familiares.
Se Calado tivesse falado, explicado o quanto ganhava, quanto gastava talvez a história fosse um pouco diferente. Se Calado tivesse inserido o seu filho no contexto do dinheiro e explicado que o dinheiro não era inesgotável, Edivaldo talvez nunca tivesse contraído suas dívidas. Edivaldo já saberia o que era “cheque especial” e o que fazer para evitá-lo. Edivaldo poderia estar juntando dinheiro para comprar uma casa para montar sua própria família, como seu pai já tinha feito uma vez.
Reflita sobre essa história e o que você pode fazer para que isso não aconteça com você nem com seus filhos. Vamos falar sobre Dinheiro, Finanças Pessoais e Educação Financeira com os mais jovens. Dinheiro é um assunto muito importante. Não adianta achar que é um assunto proibido para crianças. O preço pode ser muito caro.
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